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Entrevista com Hugh Macleod, o guru da Web 2.0

15/01/2011

Procurava algo sobre Marketing Político e Marketing Digital e me deparei com a entrevista que Hugh MacLeod, o guru da Web 2.0, deu à revista Meio & Mensagem. Hugh esteve no Brasil a convite da AgênciaClick para palestrar na Campus Party 2009. Confira abaixo os principais trechos, na minha visão, da entrevista.

Hugh MacLeod conquistou a simpatia de milhares de internautas por expressar, através de seus cartoons, opiniões a respeito dos efeitos da internet sobre a publicidade. Estrategista de marketing, presta consultoria para grandes marcas, como Dell e Microsoft, e tem como missão instruí-las a aprimorar o relacionamento com seus consumidores aproveitando todas as mídias e, principalmente, a abertura de contatos trazida pela web.

M&M – Em um de seus cartoons você diz que se as pessoas tentassem se comunicar da maneira como faz a publicidade, correriam o risco de apanhar umas das outras. Você acredita que a publicidade tida como tradicional no mundo de hoje não leva em conta a inteligência dos consumidores?

MacLeod — O que vejo é que às vezes a publicidade faz com que as pessoas se sintam mais estúpidas do que são. É feita de maneira passiva e limitadora. O fato é que a propaganda tem a função de inspirar as pessoas, e vejo na internet a oportunidade ideal para que os profissionais do setor entendam como desenvolver uma conversa e promover uma marca ou produto. É preciso ir além da abordagem careta e ultrapassada de chegar e dizer: “Olá, meu nome é Hugh, tenho 43 anos, sou cartunista e ganho US$ 3 mil”. Ninguém se comunica dessa forma. As pessoas se sentam a uma mesa, interagem, tomam uma taça de vinho e deixam a conversa fluir. Esse é o segredo da web 2.0: tornar natural e intimista o relacionamento entre marcas e pessoas. As relações podem — e devem — ser mais reais e mundanas para que os consumidores não se sintam diminuídos.

M&M — Tendo em vista esse relacionamento mais estreito, você vê as redes sociais como um importante canal de comunicação entre as partes da cadeia de consumo?

MacLeod — O conceito por trás das redes sociais é muito anterior à web 2.0 e aos sites de relacionamento. Creio que as mídias sociais apenas apontaram o caminho para que os consumidores começassem a interagir digitalmente, mas agora em um canal onde tudo é mais veloz e amplo. O que acontece é que as marcas e seus produtos nada mais são do que objetos sociais. São eles que acabam por externar a personalidade, o gosto, o status. É uma apresentação pessoal através do consumo. Um bom produto ou uma boa imagem faz com que as pessoas se socializem. É essa sua função. Para tanto, também é necessário abrir espaço para a colaboração, já que todos querem compartilhar e tudo deve girar em torno desse desejo natural do ser humano.

M&M — Então, qual é o futuro do marketing nesse cenário multiplataforma?

MacLeod — Para mim, o segredo nada mais é do que contar histórias, coisas da vida. Aproximar a comunicação ao máximo da realidade e do cotidiano dos indivíduos é fundamental para acabar com a superficialidade. Quebrar as barreiras é necessário. O Obama, por exemplo, foi uma marca co-inventada pelas pessoas com base em uma estratégia de marketing que ele adotou. Ele usou como apelo a palavra esperança e acertou em cheio naquilo que todo mundo queria e precisava. Todos nós gostamos de produtos e de pessoas que tornem a vida mais leve.

M&M — Como você vê a publicidade brasileira?

MacLeod — Sou um grande admirador da publicidade brasileira. Primeiro porque a economia está em crescimento e isso favorece o setor. Segundo porque a qualidade de criação dos profissionais é muito alta, o que resulta em idéias sensacionais e trabalhos primorosos.

M&M — Muitos defendem que a crise financeira mundial tende a beneficiar a expansão das mídias digitais. Você concorda com essa análise?

MacLeod — Sim. As pessoas não têm mais dinheiro para investir em mídia cara. Com a crise, as diversas mídias tendem a competir menos entre elas, uma vez que o anunciante não vai mais gastar rios de dinheiro para se comunicar. Nesse caso, portanto, os canais digitais tendem a se sobressair por disponibilizarem mais espaço a custos muito menores. Mas a tendência é de que o preço, unido ao resultado e ao acompanhamento em tempo real das ações, fortaleça o digital e o faça absorver investimentos antes destinados a outros meios.

Entrevista concedida para Mariana Ditolvo

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