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Dia Internacional da Mulher: de mulher para mulher

04/03/2010

“Ainda temos muito que caminhar, mas globalmente poderíamos dizer que a mulher já trilhou mais da metade do caminho de lutas nessa estrada rumo à libertação. O que eu vejo hoje, de qualquer forma, é um quadro muito positivo. A mulher é dona do mundo, ela é parabólica. Aliás, mesmo quando o mundo não vivia uma era parabólica, ela já era assim. Ao mesmo tempo que está ligada na camisa do marido, está vendo o bife para o filho, ligada em administrar o dinheiro, a casa. Ela pode estar dirigindo e pensando em fazer a unha, no que vai dizer na reunião de trabalho daqui a duas horas e falando no celular para o colégio do filho e, no fim, já trabalhou e fez mais de 100 coisas. Pensou mil coisas que os homens sempre esquecem, porque pensam com uma cabeça menos afinada para esses detalhes, que fazem a vida! E essa postura de cuidar da vida faz com que as mulheres envelheçam mais erguidas, porque a tarefa delas é a vida, elas são incumbidas do mundo. E só páram de cuidar do mundo quando morrem. Tanto que as mulheres que ficam viúvas, conseguem reconstruir a vida mais rápido, com exceções, claro, mas no geral é assim, os homens, não, quando viúvos, morrem logo depois e se são desquitados, ficam sem mães. Por isso que, a meu ver, a valorização da mulher no mundo é um merecimento, uma noção de direito. Ela é em si, por direito, a rainha da vida”
Elisa Lucinda, poeta

“A mulher é tudo hoje em dia: esposa, mãe, amiga, companheira, estamos aí cada vez mais conquistando o nosso espaço. As mulheres estão se superando muito. A classe feminina se unindo, vai conquistando seu lugar no campo profissional, em todas as áreas, esportiva, científica, artística. A gente tem que pensar na gente mesmo, porque já pensa no marido, nos filhos, pensa em tudo e em todos. Mas e em nós mesmas, quem pensa na gente? Todas as mulheres devem pensar mais nelas mesmas. Se pensarmos mais em nós, o mundo vai acabar concordando e dar mais valor. Olhando só pra frente, as coisas melhoram e as portas vão se abrindo”.
Zeferina, vencedora da São Silvestre de 2001

No meu trabalho, cuido da parte de condução, vigilância e reparos do navio. É uma profissão muito bonita, mas infelizmente muito solitária, onde passamos a maior parte do ano embarcado. É um campo totalmente novo para as mulheres, pois era um ambiente totalmente masculino, principalmente uma Praça de Máquinas, a discriminação é muito forte. Os homens acham que uma mulher não tem capacidade para poder tomar conta de uma Praça de Máquinas e nem conseguir fazer qualquer tipo de reparo, pois falam que não temos força. Mas estamos aí para romper esta barreira, e provar que somos capazes tanto quanto eles e estou muito feliz com minha atividade.
Izis dos Santos Borges, uma das primeiras Oficiais de Máquinas da Marinha Mercante

 “Fico feliz de ver que hoje em dia, comparando a minha vida com a da minha avó ou da minha mãe, existem muito mais oportunidades, menos pressões morais ou religiosas. A mulher descobriu seu poder, sua auto-estima, que antes estava abafada. Ainda assim, nós mulheres precisamos tomar cuidado, porque mesmo com esta conquista de espaço, existe a loucura da competição. Por isso, não podemos esquecer a força do feminino. Em vez de tomar a posição masculina, precisamos lembrar que somos mulheres e nossa força está nisso.”
Rita Guedes, atriz

 “A data isolada do 8 de março não deve servir de referência para uma reflexão sobre a luta das mulheres contra a desigualdade, a discriminação e a violência que vem se agravando. A valorização da participação das mulheres, seja na forma como expressa a sua cidadania, na política ou na própria presença cotidiana na construção da cidade é indiscutível. Essa luta passa pela inserção no mercado de trabalho, na divisão das tarefas domésticas e até mesmo na maneira como até hoje elas são retratadas pelos meios de comunicação. Soma-se a isso a violência contra as mulheres, dentro e fora de casa, com estatísticas que envergonham a todos nós. Esse quadro de adversidades ganha uma importância maior quando se trata da maior cidade da América do Sul, onde vivem 3,6 milhões de mulheres acima de 18 anos, numa população de 10,4 milhões, de acordo com o censo do IBGE, de 2000. Esse fato aumenta a nossa responsabilidade de adotarmos políticas públicas voltadas para as necessidades e direitos das mulheres que podem ajudar a alterar suas condições de vida.”
Ministra do Turismo e ex-Prefeita do Município de São Paulo

O que eu percebo hoje em dia, em todas as reuniões que vou, é que as mulheres são as cabeças. Elas são diretoras, responsáveis pelas decisões. Porque na década de 60, nós tivemos a revolução sexual, mas agora nós estamos no auge de uma revolução intelectual e assumindo. Trabalha, cuida de filho, da casa, dos negócios, numa correria só. Na peça Cócegas, tem uma personagem que é professora de ginástica, que retrata bem isso: ela tem um jargão que é dizer o tempo todo “vamo lá que eu tô sem tempo!” E num determinado momento, ela chega ao ponto de estar fazendo flexão e pregando um botão ao mesmo tempo. As pessoas riem muito, é muito engraçado. E essa é a mulher do terceiro milênio, que saiu pro mundo, mas levou a casa nas costas. Levou a casa nas costas, mas não deixou de ser mulher”.
Heloísa Perrisé, atriz

“A emancipação primeira, neste século, veio após a participação política pelo direito de voto, com as duas grandes mudanças provocadas pela descoberta dos anticoncepcionais, separando em definitivo o sexo da reprodução e a absorção da mulher pelo mercado de trabalho. Acomodados os ânimos, deparamo-nos, com preocupação, com as mulheres usadas pela sociedade de consumo, solitárias e psicologicamente desamparadas, em situações que a emancipação econômica, sozinha, não pode resolver. O modelo neoliberal, ao criar enormes lacunas sociais, deixando desprotegidos diversos setores da sociedade, vem sensibilizando as mulheres mais bem posicionadas socialmente, seduzindo-as a participar de uma politização de âmbito privado, que as conduz a práticas clientelistas, onde o sentido do direito volta-se para a dádiva e a caridade.
Quero aqui lembrar a observação feita pelo ilustre professor baiano Nilton Santos: Não basta outorgar direitos. O importante é propiciar, na sociedade de consumo, o acesso a estes direitos.”
Eliana Calmon, ministra do Superior Tribunal de Justiça. Primeira mulher a assumir cargo de ministro em um Tribunal Superior no Brasil. Tomou posse em 30 de junho de 1999.

“É importante que o IBGE tenha aberto, no Dia Internacional da Mulher, este espaço para que nós nos dirigíssemos à juventude. O tema da desigualdade de gênero é ainda relevante para os jovens e para os de idade madura. Para que uma sociedade seja efetivamente democrática, é preciso haver igualdade entre homens e mulheres, e isso é um objetivo que tem que ser de todos, dos homens e das mulheres. Então, a juventude está aí para renovar essas relações, para então caminharmos rumo a um mundo que seja mais justo e marcado pela igualdade.”
Ruth Cardoso (1930 – 2008), Presidente do Conselho da Comunidade Solidária

“Celebra-se o ‘Dia Internacional da Mulher’ mas qual o dia que não é da mulher? Em casa, com os filhos, sem falar no marido: no trabalho, na escola, nos palcos nos jornais onde não está a mulher? Seu ‘dia internacional’ pode ser todo dia ou quem sabe a idéia é nos reservar um dia para cuidarmos só de nós próprias.”
Raquel de Queiroz (1910-2003), escritora, primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras

“Eu, Zica da Mangueira, como mulher, acho que a mulher tem que lutar pelo seu lugar. Graças a Deus, já tem mulher delegada, deputada, só falta o Brasil ter uma mulher presidente, como em outros lugares. Agora, cada uma tem que fazer por si, estudar, trabalhar para conquistar o seu lugar. A mulher está de parabéns pelo que já conquistou e tem que continuar lutando. Hoje a mulher não apanha mais, só apanha se quiser. Por isso eu estou gostando, a mulher hoje tem seu lugar e é assim que deve continuar: a mulher cada vez mais tendo a sua vez.”
Dona Zica, da Mangueira (1914-2003)

“No caso do esporte, temos motivos de sobra para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Nós quebramos o tabu de que esporte não é uma atividade exclusiva para homens e garantimos um lugar de destaque no pódio, sempre com muito talento, garra e charme. No Brasil, a maior prova disso foi durante a últimas Olimpíadas, em Atlanta, quando a maioria das medalhas veio das mulheres. Parabéns às mulheres brasileiras por todas as vitórias já conquistadas e por aquelas que ainda virão. A todas, aconselho a prática regular de atividades físicas a fim de se manter a saúde em dia, melhorar a qualidade de vida e a auto-estima. Mas não esqueçam: antes de iniciar qualquer atividade, procure a orientação de um profissional.”
Fernanda Keller, triatleta

“Ser mulher é ser feminina, vaidosa, simpática, inteligente, bonita, carinhosa, independente. Eu gosto de ser mulher e acho que hoje temos um papel muito importante, que é o de mostrar ao homem que o mundo mudou. Hoje, ser mulher é ser parceira na luta pela sobrevivência da família, sem discriminação. Sou mulher e sou gari. Trabalho sempre bonita, com batom e cabelos arrumados. Sou alegre e me orgulho do meu trabalho, porque sei que cuido da saúde da população.”
Elza Cecília de Souza, gari

“Salve 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Quero me dirigir a todas as trabalhadoras domésticas, especialmente às jovens. Somos a maior categoria de mulheres que trabalha nossa luta contínua junto à sociedade, para fazer valer o respeito de nossa dignidade pessoal e o valor do nosso trabalho.”
Arinda Libani de Jesus, Sindicato dos Trabalhadores Domésticos – RJ

“Desde que eu me entendo por gente, eu lembro de minha mãe trabalhando, fazendo rendas, e com 7 anos eu aprendi a fazer renda também. Esse é o meu trabalho até hoje. Tenho quase 72 anos, fiquei viúva muito cedo, e foi com o meu trabalho de rendeira que sustentei meus seis filhos. Hoje todos trabalham, já tenho netos e até bisnetos, e continuo fazendo rendas e outros trabalhos maiores que aprendi ao longo da vida. Admiro muito a mulher e seu trabalho, sua coragem e disposição. No Dia Internacional da Mulher, desejo que Deus abençoe a todas e transmito muita força à mulher brasileira para que ela continue seu trabalho.”
Francisca Mary Nogueira Amora – “Dona Mary”, mulher-rendeira – Aquiraz/CE

“Sou gaúcha, de Porto Alegre, tenho 36 anos e tirei meu brevê aos 17 anos de idade. Atuei como instrutora do aeroclube da cidade durante vários anos e em 1984 decidi preparar-me para pilotar jatos e ingressar na aviação comercial. Enfrentei discriminações e até pensei em desistir da carreira, quando a VASP anunciou concurso público para piloto. Fui admitida na função de co-piloto em 1988, que exerci até 1996, quando passei nos testes teóricos e práticos para assumir o comando da aeronave, tornando-me a primeira mulher a comandar um Boeing 737 no Brasil. Para mim, o Dia Internacional da Mulher deveria ser encarado como uma data para as mulheres refletirem sobre suas conquistas e seus futuros desafios.”
Carla Roëmmler, comandant

 

Fonte: IBGE

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One Comment leave one →
  1. Izis Borges permalink
    08/08/2010 00:45

    Olá pessoal,
    Eu estava pesquisando algumas reportagens sobre a minha profissão e me deparei com uma entrevista que dei a quase 10 anos atrás.
    Bom, queria dizer a todos que acompamham o site, que nós mulheres estamos a cada dia mais presente na Marinha Mercante. Na Escola de Oficiais da Marinha Mercante já somos a metade, e nas empresas, também estamos presentes conquistando cada vez mais espaço. Continuamos sofrendo discriminação mas não comparada com a época a qual me formei. Hoje eu trabalho em uma empresa de porte internacional no ramo de perfuração de poço de petróleo. E pretendo o mais breve possível tirar a minha carta de 1 Oficial de Máquinas.
    Abraços a todos e sucesso,

    Izis Borges

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